PASSO A PASSO DO CONGELAMENTO DE ÓVULOS

O que é o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos é uma técnica de preservação da fertilidade que permite coletar óvulos maduros e armazená-los para possível uso futuro.

Atualmente, a principal técnica utilizada é a vitrificação, um método de congelamento ultrarrápido que reduz a formação de cristais de gelo e melhora a sobrevivência dos óvulos após o descongelamento. A vitrificação se tornou o método padrão de criopreservação de oócitos nos últimos anos.

A idade é um dos fatores mais importantes nesse processo. Com o avanço da idade, aumenta a frequência de alterações cromossômicas nos óvulos, o que pode reduzir as chances de sucesso. Dados analisados pela American Society for Reproductive Medicine (ASRM) indicam que os resultados tendem a ser melhores quando o congelamento é realizado em idades mais jovens.

Por isso, o congelamento não deve ser entendido como uma garantia de gravidez, mas como uma estratégia para preservar uma possibilidade reprodutiva.

Consultando um especialista

O primeiro passo é consultar um especialista em reprodução humana. Durante a consulta, este médico especialista avaliará a saúde reprodutiva, os objetivos da paciente e indicará os exames necessários para planejar o tratamento.

O que será avaliado:

  • Histórico médico e ginecológico: doenças, cirurgias, tratamentos e características do ciclo menstrual.
  • Reserva ovariana: exames como o hormônio anti-Mülleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais ajudam a estimar a resposta dos ovários à estimulação.
  • Idade: um dos principais fatores relacionados à qualidade dos óvulos.
  • Objetivos reprodutivos: momento quando a paciente pretende utilizar os óvulos e seus planos para a maternidade futura.
  • Planejamento do ciclo: definição do protocolo, medicamentos e acompanhamento.

É importante destacar que os exames de reserva ovariana ajudam principalmente a estimar a resposta dos ovários e o número de óvulos que podem ser obtidos. Eles não conseguem, sozinhos, prever a chance de nascimento de um bebê após o uso dos óvulos congelados.

tanque de nitrogenioPreparação e estimulação ovariana

Após a avaliação inicial, começa a estimulação ovariana. O objetivo é estimular o desenvolvimento de vários folículos ao mesmo tempo para aumentar o número de óvulos maduros disponíveis para coleta, dentre os inúmeros que os ovários oferecem a cada início do ciclo menstrual.

Como funciona:

  • Medicamentos: são utilizados hormônios por aproximadamente 8 a 12 dias, de acordo com o protocolo e a resposta de cada paciente.
  • Monitoramento: durante esse período, são realizados ultrassons transvaginais e, quando necessário, algum exame de sangue.
  • Maturação dos óvulos: quando os folículos atingem o estágio adequado, é administrada uma medicação para desencadear a maturação final dos óvulos.

O acompanhamento médico é essencial para definir o momento adequado da coleta e garantir a segurança do tratamento.

Coleta dos óvulos

Quando os folículos atingem o desenvolvimento esperado, é realizada a captação dos oócitos, também conhecida como punção ovariana.

O procedimento é feito por via vaginal, com auxílio de ultrassonografia transvaginal e sob sedação ou anestesia, conforme avaliação médica.

Uma agulha fina é utilizada para aspirar o líquido dos folículos ovarianos. O material é encaminhado imediatamente ao laboratório, onde os embriologistas identificam e avaliam os óvulos.

Como referência, dados da HFEA, órgão regulador de reprodução assistida do Reino Unido, indicam que a maioria das pacientes com menos de 38 anos coleta aproximadamente 7 a 14 óvulos por ciclo, embora esse número varie bastante de acordo com a reserva ovariana e a resposta individual ao tratamento.

Vitrificação e armazenamento

Após a coleta, os óvulos maduros são preparados para a vitrificação.

Por meio desse processo de congelamento ultrarrápido, os óvulos são preservados em temperaturas extremamente baixas e armazenados em tanques de nitrogênio líquido, seguindo protocolos de segurança, identificação e rastreabilidade.

A ASRM aponta que, com base nas evidências disponíveis, o tempo de armazenamento não está associado a diferenças significativas na sobrevivência dos óvulos ou nas taxas de gravidez após o descongelamento.

Quando chegar o momento de utilizar os óvulos

Quando a mulher decidir tentar engravidar, os óvulos serão descongelados e utilizados em um tratamento de fertilização in vitro (FIV).

Após o descongelamento, os óvulos que sobreviverem adequadamente são fertilizados em laboratório. Nesse processo, o mais frequente e eficiente é utilizar a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), na qual um espermatozoide é injetado diretamente no óvulo.

Os embriões obtidos permanecem em cultivo por alguns dias e, posteriormente, um embrião poderá ser transferido para o útero, conforme o planejamento médico.

Congelamento de óvulos é diferente de congelamento de embriões

No congelamento de óvulos, a preservação acontece antes da fertilização.

Já no congelamento de embriões, o óvulo é fertilizado em laboratório e o embrião formado é posteriormente criopreservado.

São, portanto, estratégias diferentes de preservação reprodutiva.

Quantos óvulos devem ser congelados?

Não existe um número único de óvulos capaz de garantir uma gravidez futura.

A quantidade necessária depende principalmente da idade no momento do congelamento, da resposta ovariana e de outros fatores individuais.

A ASRM ressalta que ainda não existem dados suficientes para estabelecer um número universal de óvulos que garanta determinada chance de nascimento. Um estudo analisado pela entidade estimou que, para uma chance de aproximadamente 70% de pelo menos um nascimento, seriam necessários cerca de 14 óvulos maduros entre 30 e 34 anos, 15 entre 35 e 37 anos e 26 entre 38 e 40 anos. Esses números são estimativas de um estudo específico e não devem ser considerados uma meta individual para todas as mulheres.

Por isso, a indicação deve ser sempre individualizada e quando disponível, como no laboratório do Projeto ALFA, a inteligência artificial pode ajudar nas decisões a serem tomadas cada pool de óvulos obtidos.

Benefícios do congelamento de óvulos

Congelar os óvulos pode oferecer algumas vantagens:

  • Flexibilidade: permite preservar óvulos para uma possível utilização futura.
  • Planejamento: oferece mais tempo para decisões relacionadas à maternidade.
  • Preservação da fertilidade: possibilita armazenar óvulos em uma fase mais jovem da vida.
  • Opção antes de determinados tratamentos médicos: em situações que podem comprometer a fertilidade, a criopreservação pode fazer parte da estratégia de preservação.

A procura pela técnica também vem crescendo. No Reino Unido, por exemplo, os ciclos de congelamento de óvulos passaram de 2.567 em 2019 para 6.932 em 2023, um aumento de aproximadamente 170%. Em 2023, o congelamento de óvulos representou 7% de todos os ciclos de tratamento e armazenamento registrados no país.

 

O congelamento de óvulos evoluiu muito nos últimos anos. Com a vitrificação, a técnica tornou-se uma importante ferramenta para mulheres que desejam preservar sua possibilidade reprodutiva e planejar a maternidade para o futuro.

No entanto, é fundamental entender que congelar óvulos não significa garantir uma gravidez. A idade no momento do congelamento e a quantidade de óvulos maduros armazenados são fatores importantes para as possibilidades de sucesso.

Se você está pensando em adiar a maternidade, converse com um especialista em reprodução humana. Uma avaliação individualizada pode ajudar a entender suas possibilidades e qual estratégia faz mais sentido para o seu planejamento reprodutivo.

 

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Categoria: Artigo

Publicado em:

Clínica Beta - Online
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